quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Véspera da véspera


Resolvi escrever depois de ver metade de um filme que me deixou com medo... Comecei vendo com o meu pai, que já tinha visto um outro bem bonitinho comigo (Pequena Miss Sunshine)e acabou dormindo na metade deste (O Orfanato). Acho que não assisti mais que cinco minutos depois que ele foi pro quarto. Deixei as luzes da sala acesas (por mim acendia todas as da casa), o filme dentro do aparelho de dvd e vim para o quarto. Sempre gostei de filmes de terror e suspense por este medinho que proporcionam. Este filme em especial retrata a história da família de Laura, que vivia em um orfanato quando criança e depois de muitos anos retorna ao seu antigo lar com o marido e o filho. A família se muda para lá com o intuito de construir um lar para deficientes. O menino, filho único do casal desaparece e durante 6 meses de busca sem sucesso coisas estranhas acontecem na casa.
A cena que me fez desligar a tv e voltar a assistir outra hora foi quando Laura chama uma paranormal para visitar sua casa e ela fazem uma espécie de regressão espiritual e consegue ver a casa tal como era, e os espíritos que ali habitam, que eram crianças da época em que Laura morava no orfanato.

Acredito que este tipo de filme que fala de mortos e espíritos e toda essa crença no sobrenatural, crença esta que muitos se apegam pelo conforto de saber que há continuidade após a vida terrena, agonia, assusta, justamente porque trata de um tema que as pessoas relutam em comentar, a morte. Tentamos a todo momento esquecer esta certeza, fingir que conosco isso não irá acontecer e nem com parentes próximos. Até, um dia, enfrentarmos o luto de alguém próximo e esta enganosa certeza se esvair. E aí começam os questionamentos, culpa, angústias e insegurança. Como estamos vivendo? Será que estamos aproveitando as coisas como deveríamos? A resposta é na maioria das vezes negativa, por mais que façamos nunca encontraremos a saciedade. Nunca chegaremos ao ponto de dizer, quando saudáveis: Já fiz tudo o que devia já posso morrer. E de fato, nunca fazemos tudo que gostaríamos, deixamos inúmeras vezes nossas vontades para depois. Não são poucas as vezes que escutamos alguém dizendo: "Ano que vem vou voltar a estudar", "Um dia vou fazer a viagem dos meus sonhos, um dia", "Semana que vem começo a dieta". Claro que essas coisas não refletem nada mais que as nossas próprias escolhas, porém, será que não estamos deixando as coisas que seriam mais relevantes sempre pra depois? Não estamos escolhendo viver apenas sonhando no que realmente gostaríamos de fazer agora?
E continuamos adiando a felicidade, adiando os planos e temendo que o fim chegue antes que possamos realizar nossos desejos.

Neste ano que virá, quem sabe não mudar este hábito e colocar as coisas que importam em primeiro plano? Dar atenção às pessoas que gostamos, não sabemos quanto tempo elas estarão ao nosso lado. E isso não se trata de morte, mas da própria vida! Quantos amigos e familiares que gostamos estão longe, não vemos há anos, nos afastamos por consequência da rotina, trabalho, horários incompatíveis? É hora de rever o que realmente importa!

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