sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Agonia


Aqui estou eu mais uma noite...
E hoje a vontade que tenho é de gritar. Gritar para tentar ser ouvida, gritar para tentar esquecer o que há muito já devia ter esquecido..
A saudade aperta como nunca, deixando até o ar mais pesado, o peito está comprimido, clamando por um abraço apertado...
Mas a vida tem que seguir em frente, cada um faz as suas escolhas e a minha é viver intensamente. Viver sem me preocupar com o amanhã, aproveitar cada segundo como se fosse o último. Chega de falsas expectativas, de estar disponível para quem não está, de acreditar na esperança. A vida se encaminha de trazer novas alegrias para quem está receptivo. E acho que o momento é de novas decisões, novos caminhos a serem trilhados.

À vontade que fica, desejo minhas mais sinceras desculpas, mas assim não dá. Preciso agitar o meu mundo, mexer na minha história, acrescentar alguns capítulos que ficaram para trás, quem sabe até mudar o prefácio, o título. Afinal, a história é MINHA e eu mesma devo continuar a escrevê-la de onde parei. Durante anos ela é sempre a mesma, sempre o mesmo capítulo, apenas mudando os nomes dos personagens.

O coração que teima em bater dolorido de tanta falta, tantas palavras a serem ditas e nem sequer um olhar compreensivo para que elas deixassem de ser apenas pensamento e ecoassem no ar, este coração precisa aprender a bater de outra forma, por outros motivos, aprender a cicatrizar de vez as feridas que os anos deixaram expostas, aprender a se arriscar novamente.

Um dia a saudade será apenas lembrança e a tristeza apenas cicatriz, enquanto isso a vida continua trazendo novas oportunidades, novas expectativas e quem decide se vai entrar nesse barco ou continuar remando contra a maré sou eu.

Hoje o aperto só se intensifica.. A vontade de falar é muito grande, mas o medo de não ser ouvida toma conta. Por isso falo através do texto, encontro uma maneira mais segura de colocar para fora o que me aflige. E entre lágrimas e teclas opto pelo novo, pelo desconhecido e deixo para trás o sofrimento. Não entendo como posso me apegar cada vez mais firme a ele. Será que não busco a felicidade? Cansei de fechar as portas que estão sempre abertas para que eu passe. Mas sempre escolho ficar do lado de dentro, apenas espiando a frestinha do que poderia acontecer se pagasse pra ver. Mas nunca me dei este direito, continuo como uma criancinha medrosa atrás da porta, escutando o mundo adulto e temendo um dia crescer de verdade. E assim o tempo passou, daqui um mês farei 24 anos. São 10 anos sozinha! 10 anos sem dar chance a ninguém, sem dar voz ao acaso, encolhida, me alimentando de falsas esperanças. Apegando-me sempre pelo que tenho certeza ser impossível, para que realmente não dê certo, para continuar como sempre estive, na segurança da minha própria solidão.
E assim me engano mais uma vez, finjo para mim mesma que a culpa não é minha, que eu que não fui escolhida mais uma vez. Mas sei que na verdade eu não escolhi o caminho mais curto para a felicidade. Ela se resume a migalhas que vão deixando ao chão, migalhas que vou aceitando e tornando refeições completas.

Quero me dar o direito de gostar de verdade e me dar o direito de deixar ser gostada.
Quero sentir toda a intensidade de um olhar verdadeiro e cúmplice.
Quero me deixar levar pela emoção sem que a racionalidade se intrometa.

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