domingo, 1 de fevereiro de 2009

O sumiço da inspiração


Cadê a inspiração?
Levaram-na embora!
Mesmo com todos os suplícios levaram-na!
E o que restou em seu lugar além do vazio?
O que restou em seu lugar além da vontade de salvá-la?

Foi-se embora deixando confusão e palavras soltas, indecifráveis, amontoadas em pensamentos que teimam em ocupar a mente todo tempo.
Palavras que soltas não significam nada, não têm vida, nem história.

Apenas palavras que às vezes se mesclam às imagens também sem nexo do abismo da imaginação. E pioram ainda mais o sofrimento.

Será alguém capaz de trazer de volta a inspiração?
De trazer de volta a cor e a intensidade novamente?
Alguém pode ao menos ajudar a juntar as palavras?
Quem sabe isto ajude-a a achar o caminho de volta.

Mas como saber se não foi aprisionada? Se não está neste instante tentando escapar da mente que a furtou para si? Ou se está satisfeita em estar lá? Colorindo e enfeitando os pensamentos de outra pessoa, sem vontade alguma de voltar. Nutrindo com idéias uma mente nova com outro repertório de palavras e imagens, outras vivências e saberes.

Se alguém a vir por aí, por favor, avise-a que estou a sua procura, sentindo imensamente sua perda e me perdendo com as inúmeras palavras que insistem em brotar isentas de sentido. Avise-a que a espero com a caneta em punho e o papel rabiscado.
Quem sabe isto a sensibilize. Se vai trazê-la de volta não sei, isto apenas ela mesma pode responder. Apenas avise-a, por favor. E se estiver em apuros, avise-me para que eu possa encontrar um meio de salvá-la.

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