
Estar sempre disponível, esperando que a qualquer momento surja uma comunicação. Fazer com que qualquer cumprimento, brincadeira ou conversa de três linhas pareçam uma dádiva divina e deixem com uma sensação estranha de felicidade e agonia parece algo bem conhecido da infância.
Quando parece não haver meios de diminuir a distância, quando parece que existe uma ponte imensa selada com fechadura de metal pesado é quando o mundo acaba. Talvez por ser a indiferença a pior vingança a qual um ser humano possa ser submetido é que machuque tanto. Um dia a proximidade aumenta... conversas de horas acontecem, o contato parece ser o máximo possível e traz toda o esplendor da convivência e troca. Mas no outro dia é como se tudo não tivesse passado de um devaneio, uma insanidade.
A única coisa que resta é o abismo que divide duas vidas. Dele ecoam dúvidas que perduram por horas no pensamento. "Por quanto tempo?" é a mais insistente delas. Às vezes acredito ser a solidão minha melhor companhia. Sempre por perto, sempre presente. Que talvez apenas sozinha consiga me sentir segura de verdade. Não gostaria mas desejo intimamente que um dia nada disso faça sentido, sinto que este dia está cada vez mais próximo de acontecer e já acontece aos pouquinhos, a cada ferroada de silêncio.
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