domingo, 12 de junho de 2011

12 de junho


Mais um 12 de junho. Mais um dia dos namorados. Mais um ano sozinha. Mais um dia vazio. Gostaria de saber em que ponto da minha vida decidi ficar sozinha. O que me fez pensar que não sou mais capaz de ser feliz com alguém. Como deixei chegar a este ponto? Já faz mais de dez anos que não sou capaz de me deixar levar por algo que realmente valha a pena. Nesse tempo todo me iludo achando que estar sozinha é realmente o que quero, quando na verdade morro de medo de admitir que tudo o que mais quero é ser feliz de novo. Conseguir me entregar de verdade a alguém que também consiga. Parar de correr atrás de ilusões que me mantêm no mesmo lugar seguro de sempre. Parar de mentir pra mim mesma, de chorar noites e noites por estar sozinha. Ir pra uma balada e ouvir mil elogios, caras querendo me conhecer e espantados por eu não ter namorado. Mal eles sabem que às vezes eu também me espanto, na verdade sempre os espanto. Espanto os caras quando acho que vai dar certo de verdade. E depois chego em casa com a familiar sensação de vazio, o quarto que parece grande demais pra mim, o telefone mudo.
Acabo fugindo de tudo que pareça funcionar. Todo ano decido que no próximo 12 de junho não estarei sozinha e quando vai chegando perto da data percebo que fiz tudo de novo, ou pior, não fiz nada de novo. E lá se vai mais um ano na mesmice. Com os fantasmas do passado que teimam em aparecer nos meus sonhos. Existem marcas que são muito difíceis de apagar, que mesmo quando achamos que já estão curadas às vezes insistem em doer de uma maneira insuportável. E é nessas horas que dá vontade de mudar tudo. De tentar fazer diferente. Mas o medo é maior que a vontade. E acabo entrando cada vez mais no estar só e assim vou levando. Meu mundo está fechado para o exterior, meus sentimentos não se desprendem do passado. E passa o dia.. mais uma promessa para o próximo ano... até quando vou viver de promessas falsas a mim mesma? Até quando vou suportar este mundo feito de papel que criei e que desmorona a cada vento forte, a cada golfada de realidade?

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